Tônico para todos os humores

por Jefferson Dias


Foi em Santa Cecília, bairro do centro paulistano, e em janeiro que tudo se acertou. Já com a pauta do primeiro trabalho definida, o grupo comprovou em uma de suas reuniões a necessidade de pelo menos um fotógrafo ir ao Rio de Janeiro. Não havia como escapar: ali moravam importantes mulheres que completavam nossa escalação.

Assumi a missão de correr para a ex-capital federal e, num fim de semana, fotografar quatro artistas. Uma delas, e a primeira, era Ademilde Fonseca

Depois de uma noite no ônibus e com a muda de roupas depositada num hotel no Largo da Carioca, peguei um metrô para Copacabana. Sorridente e falante, Ademilde não aparenta os 87 anos de vida. Posou em seu apartamento, contou algumas histórias, e, com óculos de sol no rosto, estampou uma das paredes da recepção de seu prédio.

A vitalidade e firmeza de Ademilde mostram a felicidade mesmo para uma artista que tem sua projeção nos dias de hoje menor do que sua obra merece. Como um tônico revigorante, a intérprete que nunca reduziu a marcha ao cantar “Brasileirinho”, injetou ainda mais disposição ao Pioneiras. E combinamos: no domingo de manhã nos veríamos no aniversário de sua amiga, a contemporânea Carmélia Alves.


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Potiguar de Macaíba, Ademilde Fonseca (1921) interpreta samba e baião, mas há mais de 50 anos é reconhecida como Rainha do Choro Cantado. Um de seus registros sonoros de maior êxito foi “Brasileirinho”, de Waldir Azevedo e Pereira da Costa, em 1950.














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