O fotógrafo não existe

por Jefferson Dias


Quando ainda o time de artistas do Pioneiras ainda estava sendo montado, Herminio Bello de Carvalho sugeriu Áurea Martins. Com mais de 45 anos de carreira, a cantora tem apenas três discos, o mais recente, Até sangrar (2008), produzido pelo incansável poeta carioca.

De Copacabana, onde havia fotografado Ademilde Fonseca de manhã, voei para o Catete, onde Áurea reside. De todas as artistas que eu encontraria no Rio, ela era a única que tinha um espetáculo no mesmo dia da sessão de fotos. Nada mais instigante do que acompanhá-la em seu apartamento até sua chegada ao palco do Centro Cultural Banco do Brasil. Do encontro, às 13h, até o início do show, às 19h, somente desgrudei da artista durante as trocas de roupa.

Receptiva e envolvida com o espírito do projeto, Áurea esqueceu-se de mim durante essas mais de seis horas, quesito ideal para qualquer fotógrafo. Aí testemunhei essa cantora da noite, que venceu em 1969 a “Grande Chance”, concurso criado por Flávio Cavalcanti, esparramada no chão lendo jornal, conversando ao telefone, tomando café e se aquecendo no camarim do teatro onde cantou para Herminio e para dezenas de privilegiados.


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Carioca, Áurea Martins (1940) começou a cantar na noite e em festivais na década de 1960. Desde então, dividiu palco com nomes como Djavan, Emílio Santiago, Alcione e Cristóvão Bastos, até gravar em 2003 seu primeiro CD, que uniu MPB e samba.














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