Morena ou moreno?

por João Correia Filho


Claudia Morena vive numa cobertura em Campinas, cidade que adotou como sua há 37 anos. Adora Campinas. Nascida em Cabo Frio, no estado do Rio de Janeiro, ela se mudou para lá e não saiu mais. De seu apartamento, tem uma visão privilegiada da cidade.

É nesse cenário que Claudia se coloca para as fotos. Primeiro por estar em sua casa, perto de seu marido, de suas coisas e de suas duas cachorras, Babalu e Pipoca. E também porque já se acostumou com cliques e outros melindres do sucesso. Faz pose, vira o rosto, pergunta se está bom, expõe sua beleza. A moça encantadora que começou sua carreira em meados dos anos 1950 ainda preserva os traços belos de quem viu a vida passar de forma musical.

À vontade ela também confessa que é avessa à internet e computadores. No entanto, brilha virtualmente: possui uma comunidade no Orkut, há mais de 60 vídeos no YouTube e centenas de páginas com o verbete Morena. O curioso é que pela internet se nota uma confusão com seu nome artístico: existe tanto Claudia Morena quanto Moreno.

“Sou de uma época em que quase ninguém usava o nome real. Quando comecei minha carreira, me disseram que eu seria Claudia Morena graças à minha pele. Mas quando fui me registrar na Ordem dos Músicos, houve um engano e escreveram Moreno”, explica a artista. Hoje, brinca com a pequena confusão e ratifica: “Sou Claudia Morena”. Para quem conhece a vida e a obra da artista, nada disso importa.


_______________________

Claudia Morena (1932) começou sua carreira nos anos 1950 ao gravar “Só saudade”, de Tom Jobim. Lançou Zé Kéti (“Voz do morro” no filme Rio 40 graus), participou do disco inaugural de Paulo Vanzolini (Onze sambas e uma capoeira) e foi uma das primeiras cantoras a cantar bossa nova fora do Brasil.














          [ fotos ] foto: João Correia Filho