Paixões ponto a ponto

por Ernesto Rodrigues


Cheia de simplicidade e alegria, Dona Inah me recebeu numa manhã ensolarada de quinta-feira, logo após o carnaval. Com o sorriso largo e muita simpatia, disse: “Você vai tomar um cafezinho comigo hoje! Já estou fazendo”. O astral de Dona Inah em casa é o mesmo que ela leva para os palcos. Preparou-se para fazer as fotos. Arrumou-se com muita vaidade e colocou até perfume. Queria mostrar nas fotos a sua imagem autêntica: alegria e descontração.

Para a sessão fotográfica, posou em sua sala, onde passa momentos em família. Decorado com alguns quadros que marcam momentos de sua carreira nos quatro cantos do mundo, o lugar é aconchegante e discreto. Também mostrou seu quarto de costuras. Ali é o seu outro mundo. Sentada atrás de uma máquina Singer, revelou que o ofício de coser é uma paixão. Claro, como o samba.


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Nascida em Araras (SP), Dona Inah (1935) começou a cantar profissionalmente nos anos 1950 como crooner de orquestras, que alternava com o trabalho de babá, doméstica e cozinheira. Convidada a voltar aos palcos em 2002 por Heron Coelho, a intérprete de sambas já lançou dois discos, Divino samba meu (2004) e Olha quem chega (2008).














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