Não é que você veio mesmo, menino!

por Renato Nascimento



Eu já havia fotografado Inezita Barroso outras vezes, pela TV Cultura. Mas agora era diferente.

A locação - a Casa de Caboclo, no Parque da Água Branca, em São Paulo -, foi escolhida por ela, que não precisou revelar o motivo óbvio. A novidade foi descobrir que a “musa da intelectualidade dos anos 1950” frequentava o parque desde seus 10 anos de idade. Entre acenos, olás e abraços deixados pelo caminho, Inezita falou sobre Carmen Miranda, Mário de Andrade e a paixão pela piscina, além de se encantar com o gingado de um galinha caipira que corria pelos canteiros.

Dois dias depois, dia do seu 84º aniversário, fui ao Teatro Franco Zampari, onde é gravado o Viola, minha viola, programa semanal há quase 30 anos no ar. “Não é que você veio mesmo, menino!”, falou ao me ver. Pediu para esperar. Esperei. Mas preferi falar direto com o produtor do programa, que, sem pestanejar, afirmou que não ia rolar. Vencido pela minha retórica, voltou do camarim com o meu passe livre. “Tá com moral, hein, moleque!?” E assim fiquei, mais uma vez, na sombra de Inezita.

Chegada a hora, agradeci a oportunidade e me despedi. “Você me fotografa esses dois dias e vai embora sem comer um pedaço de bolo do meu aniversário?”, bronqueou sorrindo. Tinha como negar?


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Cantora, atriz, professora e apresentadora do Viola, Minha Viola, da TV Cultura, Inezita Barroso (1925) é há mais de 50 anos uma das embaixatrizes da vida do caipira. Entre os clássicos que perpetuou estão “Lampião de gás” e “Marvada pinga”. Foi a primeira a gravar “Ronda”, de Paulo Vanzolini, em 1953.














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