A conta, por favor!

por Fernando Angulo


O encontro foi rápido. Como também foi o agendamento da sessão fotográfica. Graças a um amigo que tinha seu telefone, a produção do Pioneiras chegou a uma das últimas artistas fotografadas.

E foi nessa urgência que acompanhei Maricenne Costa até a Galeria Metrópole, no centro da capital paulista, onde ficavam bares e boates de todos os sabores, inclusive a primeira sede d’O Jogral (1964-68), casa fundada pelo compositor Carlos Paraná e que abrigou nomes como Paulo Vanzolini e Martinho da Vila e serviu de maternidade para o nascimento do selo Marcus Pereira anos depois. Enquanto fotografava, tomava um café e tentava driblar o volume do grupo de samba que fazia a vez naquela tarde, ouvi algumas de suas histórias fomentadas pela Galeria e pela bossa nova, da qual participou ativamente naqueles anos.

Dali, caminhamos para o Terraço Itália, ícone paulistano cravado entre as avenidas São Luís e Ipiranga. Simpática e bem-humorada, a cantora que foi a primeira a gravar uma música de Chico Buarque (“Marcha para um dia de sol", 1965), fez questão de afirmar que sua carreira, do alto de seus 50 anos de estrada, está a todo vapor. Sua disposição juvenil e o disco com que me presenteou - Movimento circular, de 2005 - comprovavam o que dizia.

Para fechar o encontro, Maricenne quis pagar a conta. Seria como ser espectador de um espetáculo e ainda receber cachê. “Nada feito, Maricenne!”


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Nos palcos desde 1958 e reconhecida por seu ecletismo, a paulista de Cruzeiro Maricenne Costa (1938) cantou, nos anos 1960, bossa nova em São Paulo e no exterior, atuou em teatro nos anos 1970 e 1980, gravou MPB, maxixes e polcas, misturou rock, punk e jazz. Lança, em 2009, um CD de bossa nova com autores paulistas.














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